terça-feira, 15 de maio de 2012

Não apague o menino do menino.


Naquele final de férias de julho, num frio não muito frio que soprava. A molecada teve a oportunidade de ir jogar num campo de uma chácara próxima. Nada extravagante, nem que se poderia dizer. Nossa que estrutura! Era um campo simples, mas com uma boa grama e era o que bastava.
Deu para forma dois times completo e alguns de reserva apenas apreciando. Ninguém se importava se não fosse daquela vez, viria outra. Moleque é assim, tá sempre esperando o próximo jogo.O jogo se deu, e como todo jogo: Um time ganhava e outro corria atrás para não perder.
Até que do nada, do tempo algum que se lembravam Ele apareceu. Parando o jogo tomando a todos de surpresa no começo e algum medo depois.
Ele também se assustou, não queria parar o jogo. Não queria acabar com a brincadeira de todos.
Ele estava contente a principio, mas depois ficou sério, quase que triste. Parou não deu mais passo algum.
Um silêncio persistiu e Ele percebeu que teria que ir embora. Virou-se para ir embora...
- Que jogar com a gente! – gritou um dos meninos sem medo algum percebendo que ele queria jogar. Menino é assim mesmo sempre sabe quando outro menino quer jogar.
Ele voltou e olhou para todos ainda olhando para ele.
- Mas eu tenho dois metros e dez...
- E daí, joga no gol. – disse um dos meninos.
- Mas já tem goleiro!- disse Ele, esperançoso.
- Não tem problema eu saio depois eu jogo.  – disse o goleiro de um time.
Ele ficou contente e correu para o gol.
- Não, não, joga no meu time... - disse a molecado do outro time.
Pronto começou uma celeuma para decidir qual dos times Ele jogaria. E Ele nunca se sentiu tão aceito em sua vida. Acabaram decidindo como todo moleque no par ou impar. E pronto Ele começou a jogar e se mostrou bom goleiro. Jogou no time que estava perdendo e um empate parecia mais provável. Ele segurava todas as bolas com a sua altura e destreza.
Ele se chamava Roberto, tinha 12 anos e sofria a anomalia que o fazia crescer além do que achamos padrão. E mesmo com dois metros e dez, era um menino que gostava de brincar.  E mesmo que na vida viesse a sofrer preconceitos, nunca iria esquecer aquele jogo e outros que vieram. Dando a ele a alegria de ser criança e brincar e a todos os demais meninos, a importante sabedoria de que não se devem apagar os meninos dos meninos. E quando homens, nunca deixar que alguém “diferente” não participe do jogo se quizer jogar.