segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O mundo também é o lugar onde estamos.


Encontrei dia desses um amigo muito querido e caro, que depois de alguns anos morando fora do país prestando serviços para uma grande empresa de construção civil, regressou já afoito com a volta. Ele está muito bem, teve três filhos em três continentes e de três mães respectivamente de nacionalidades distintas. E assim leva a vida. Esse meu amigo é um desses que não consegue “esquentar o lugar” ficar por muito tempo num mesmo lugar. E foi exatamente ai que toquei num assunto que ele retornou.

- Eu não consigo ficar parado, estou girando como o mundo. Eu não consigo ficar parado como você.

Eu senti que ele tocou a fundo.

- Parado? Eu trabalho todos os dias.

-Sim, mas está sempre no mesmo lugar.

Ele teve razão o que me deixou calado.

- Lembra quando éramos mais jovens! A gente tinha a pretensão de mudar o mundo. – Eu disse.

- E ai está você parado, há quanto tempo está nesse cargo de gerente de uma loja?

- 16 anos.

- E em dezesseis anos o que você fez pelo mundo?

Então pensei, me sentindo sufocado por aquela arrogância de meu amigo. E click! Ascendeu uma luz.

- Bem nesses dezesseis anos. Eu me casei, tive dois filhos que os educo até hoje. Por varias vezes dei o ombro a vários amigos que precisavam de um ombro amigo para desabafar. Também implantei um serviço de coleta seletiva na loja, ajudando o meio ambiente. Troquei todas as lâmpadas incandescentes por fluorescente aliviando a pressão sobre o meio ambiente. Contribuiu para o INSS que paga a aposentadoria de outros que como eu trabalharam muito. Dou emprego a tantos ajudando os meus vendedores a fechar vendas. Não jogo papel no chão das ruas, para não causar enchentes. Não bebo ao dirigir. Votei em homens que bem ou mal mudaram a miséria desse país. Assinei protestos para melhorar a educação. No final da noite sempre converso com os meus filhos, para a gente nunca perder o contato e fazer deles pessoas melhores para um mundo melhor. De alguma forma estamos sempre cativando a alegria, a ajuda entre amigos e parentes. E não fiz muito pelo mundo, apenas tentei ser o melhor para as pessoas que estão ao meu redor, no meu convívio. Porque é essa parte do mundo que conheço e vivo. Não eu não viajo por todo o planeta criando filhos aqui e ali. Aliás, você sabe o nome de seus filhos. Os vê sempre? E por esses dezesseis anos o que você fez por todos os lugares que passou?

Ele então sorriu amarelo. Certamente bebeu todas comeu todas se esqueceu de todas, viveu a sua maneira em seu mundo.

O meu mundo, era esse que ele criticava, onde também é parte do mundo que eu um dia pretendi mudar.

 

Outra Grande Reportagem da SIC

 Sonhos, desejos e sentimentos que expressão a certeza da existência de uma alma humana.

Acreditamos sempre que o lugar onde estamos é o lugar certo e que o distante é, assim tão longe é sempre o outro lugar.... Para os europeus o Brasil é um país que fica no fim do mundo, para nós brasileiros a Europa é o fim do mundo. E assim vamos tocando a nossa vida.  E esquecemos que tanto lá como cá, existem  as pessoas e as pessoas mesmo que nessa distancia que sempre cultivamos são iguais em seus sentimentos e desejos, dores e sonhos. Não há diferença cultural, econômica ou politica que faça um tunisiano diferenciar-se de um venezuelano, nem um chinês não querer a liberdade como um russo quer o bem estar, tão pouco um Carajá e um tibetano quererem expressar a sua religiosidade, porque todos somos humanos. 
Neste domingo logo após ver o meu Corinthians perde de 3x1 do Santos  seletando os canais,vi uma reportagem na SIC internacional a tv de Portugal que net retransmite   sobre sentimentos e desejos, sonhos e dores de um jovem português que nasceu Maria Rita, mas sempre se viu como  João Pedro. E como João Pedro nunca se sentiu Maria Rita. Uma bela reportagem do repórter Pedro Coelho, onde narra a coragem e a força desse ser humano. João Pedro desde os três anos de idade sabia que não era Maria Rita. E numa passagem emocionante relata que quando criança todos os dias ao acorda levantava o cobertor para ver se o seu pipi havia nascido tão era o se desejo de não ter aquele corpo de menina porque nasceu menino.
A Vida, a força criadora o destino, Deus ou a natureza não segue os nossos conceitos, porque sabem que a vida é bem mais diversa e complexa e divertida  do que apreendemos até agora. E no Caso de João Pedro, não se trata de um desvio da evolução, a vida sabia claramente o que queria e quer nos dizer. Todo ser é corpo, sentimentos e desejos, medos e sonhos, o que nos leva a crer realmente que há uma alma.  E como diz o grande poeta da língua portuguesa. Fernando Pessoa. 
Tudo afinal vale a pena quando a alma não é pequena.
João Pedro, passou por dificuldades, humilhações, e desespero em sua jornada nessa vida, sendo um homem em um corpo de mulher, mas não perdeu a força o brilho em seus olhos de realizar os seus desejos e sonhos. E sempre teve ao seu lado pai e mãe. Novamente a família dando conforto e força para sua jornada. Provando realmente o que é a instituição família, ajudar um ao outro, compreender um ao outro. Afirmando que família é essa união, essa força. 
João Pedro que nasceu Maria Rita, e que como mulher era bonita e como homem se mantém belo como é comum aos portugueses hoje está a um passo de realizar o seus desejos de ser o que realmente é.
Poderia ter se matado, se escondido para sempre, entrado em depressão ou criado um câncer ou então revolto ter se tornado um fundamentalista religioso desses tão comum hoje em dia. Mas João Pedro tem coragem suficiente para dizer a este mundo ao que veio.