sábado, 19 de março de 2011

Entendo!

 Era a última noite de verão, e ela apareceu um tanto séria para mim vinda  da portaria. Estranhamente  ela não me pediu para entrar. Eu sempre subia, e ficava sentado no sofá até ela se aprontar. Naquele noite ela pediu ao porteiro para me avisar e esperar ali mesmo. Uma imensa lua dominava o céu, naquele dia 19 de Março. 
- Então que tal descermos a serra e tomar alguma coisa em Prai Grande. Tá quente a lua tá grande. E é rapidinho.- eu insisti. Com certo desespero, porque aquela atitude dela ia me dizendo que ela tinha outros planos.
Ela sorriu levemente.
- Vamos conversar.
- Conversar?
- É que...
-  Tudo bem, a gente pode ir para algum lugar aqui mesmo...
- Não dá!
- Não dá?
- Eu preciso te dizer que não dá mais.
Eu fiquei mudo, mal acreditando.
- Eu sei que a gente tá numa boa, mas eu não consigo mais  estar ao seu lado. E antes que você me pergunte  eu não tenho ninguém.
- Você está me dispensando!
- Eu de um tempo pra cá, não consigo mais te beijar, ficar ao seu lado. O seu assunto me enche o saco. Me desculpa eu estar sendo rude, mas  eu precisava dizer.
- E você me diz que não tem ninguém.- eu não queria acreditar.
- Não tenho. Pode acreditar. Eu só não gosto mais de você! Eu preciso de um tempo, de uma coisa nova na vida. Não tenho nada a ver com você.
- E só agora depois de quatro anos que você me diz isso!
- Eu me enganei, e não quero enganar você. Você entende!
- Entendo!
Foi amargo, como se uma cachoeira de coisas amarga entrasse por minha garganta. Não é fácil sentir  o não gostar de uma outra pessoa. E por mais que eu gostasse dela ainda o seu olhar não escondia a verdade de que o seu sentimento por mim tinha se ido, acabado. E aquela verdade era demais pesada e mesmo que eu não pudesse carregar, era minha agora. Ela se despediu, entrou, não disse que  teve momentos bons ao meu . Disse apenas e que havia se enganado. Apenas! E mesmo que não suportasse aquela situação aquele pé na bunda eu tive que entender e entendendo eu pude chorar tudo que tive que chorar, amargurar a dor e de novo começar um outro relacionamento. Eu poderia não entender e cobrar para mim todo o amor que eu lhe dava. Mas a vida sempre está em movimento e as pessoas assim como as placas tectónicas também se movimentam provocando terremotos, tsunami . E quando sobrevivemos a eles temos que entender que se trata de uma força da natureza, da vida, pegar os cacos, tudo que nos resta e refazer a nossa vida. E afinal se hoje somos vitimas de um terremoto amanhã podemos ser o terremoto na vida de alguém.


Simone.

Em final de Março na cidade de São Paulo há um evento onde por um final de semana mais de quinhentos restaurante oferecem os melhores pratos da culinária por um preço bem convidativo. Restaurant week.  Pratos  elaborados que o cidadão comum somente poderia aprecia-los uma vez ou outra.

Simone e Barbara, secretárias  da mesma empresa e amigas, não perderam a oportunidade. E  na sexta a noite estavam na fila de um renomado  Restaurant e sua fabulosa cousine. Não, não poderiam deixar de constar aquele restaurante em seus curriculum.

E como era de se esperara todos o restaurantes estavam lotados, com filas e  mais filas. E depois de uma certa espera. O que qualquer esperara ou fila é parte do dia a dia de um paulistano.- Então entraram e sentaram-se sem muita demora.

E Simone ao tomar o menu em mãos, pode ver a mesa a sua frente em perfil e animado na conversa, Jader. Não disse nada a Barbara, mas ficou olhando-o. Ele parecia muito alegre e expressava toda essa alegria conversando com a mulher a sua frente. Estava de aliança e ela também. De vez em quando ele pegava na mão da mulher , tal qual ele fazia com Simone quando estavam juntos a dois dias atrás num num bar em  Vila Madalena.  Simone então entendeu que aquela  era a mulher de Jader ou a sua noiva ou a sua namorada ou outra idiota como ela que cai ainda nas labias de homens como Jader.

Simone teve vontade de se levantar e ir espancar Jader. Mas ao ver Jader e entender a situação pensou que não valeria a pena perder uma noite como aquela por um homem barato como Jader.
Simone, dois anos a trás tirou um filho por que ele pediu. Essa perda ainda não cicatrizou, mas agora vendo quem era Jader não valia a pena se lamentar, nem se amargurar por ele Jarder. Mas, sim pelo filho que tirou.

Jader  olhou para Simone e ela com um sorriso sarcástico ofereceu-lhe um brinde. Jarde não pode se conter, expressou a sua surpresa o seu pânico em ver Simone ali. Claro que a sua mulher percebeu, e decidiu encerrar o jantar ali mesmo. Saíram, desesperado porta a fora, certamente a noite seria um inferno para Jarder. Não para Simone que se manteve de cabeça erguida, apreciando o seu delicioso jantar, sentindo uma paz imensa na alma porque fora honesta com  aquele homem  e mesmo ele tendo-lhe enganado ela gostou dele e nunca o prejudicou nem mesmo agora naquele restaurante. A vida, o destino é que os trouxe para ali.

Simone seguiu o seu caminho.Nunca mais quis ver ou falar com Jader e veio  mais vezes naquele e  em outros restaurantes acompanhada de Barbara e  o seu novo namorado. Não que fosse  uma gourmet insaciável. Mas Simone apreendeu que nada mais edificante para qualquer relação do que expor essa relação ao público. Indo a todos os restaurantes, aniversários, casamentos, cinemas e teatros, shoppings e parques porque se o parceiro tiver o rabo preso, certamente o público ficara sabendo.

Não desista!Não fuja!


Do Livro a Prosperidade está na mente de Katsumi Tokuhisa. - Seicho-no-ie.
Homenagem ao povo Japonês.

Costumamos dizer que estamos em dificuldades quando temos um problema quase insolúvel ou é problema que estamos enfrentando pela primeira vez e nos parece de muito difícil solução ou é problema que já enfrentamos algumas vezes mas não conseguimos solucionar. Se for um problema igual ao que já tenhamos solucionado anteriormente, não sentiremos tanta dificuldade porque teremos a confiança de que é possível solucioná-lo. Mesmo que seja um problema novo, se já tivermos experimentando a solução de uma questão semelhante, teremos também confiança na sua solução e não sentiremos tanta dificuldade.

E por isso a dificuldade de um problema não depende da gravidade ou não do problema em si, mas do grau de confiança na sua solução. Porque há uma enorme distancia entre um " problema dificíl para mim" e "problema insolúvel" . Se ficarmos fazendo somente aquilo que é fácil manifestaremos apenas uma pequena parcela de nossa força interior, portanto somente se desenvolve quando nos esforçamos para resolver problemas difícil. E só conseguiremos vencer na vida se tivermos força mental bem desenvolvida. Pratique problemas difícil quando eles vierem se tornaram fáceis.